Rússia acusa EUA de incitar tensões 'políticas e militares' com apreensão de petroleiro e fala em 'relações extremamente tensas'
08/01/2026
(Foto: Reprodução) Vídeo mostra navio da Guarda Costeira dos EUA emparelhando com petroleiro Marinera
O governo da Rússia acusou nesta quinta-feira (8) os Estados Unidos de incitar "tensões militares e políticas" após a apreensão de um petroleiro com bandeira russa no Oceano Atlântico Norte, no âmbito do bloqueio de Washington às exportações de petróleo venezuelano.
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"É lamentável e alarmante que Washington esteja disposto a provocar graves crises internacionais", afirmou o Ministério das Relações Exteriores em comunicado.
A pasta disse que a apreensão do petroleiro Marinera, realizada pela Guarda Costeira dos EUA na quarta-feira, pode deteriorar ainda mais as "relações russo-americanas extremamente tensas", que se agravaram por conta de desacordos acumulados nos últimos anos.
O governo russo afirmou também que a apreensão desse petroleiro pelos Estados Unidos e a cumplicidade do Reino Unido foram "perigosas e irresponsáveis". O governo britânico confirmou que apoiou a empreitada norte-americana com apoio logístico e um navio de guerra.
Putin e Trump
Sputnik/Alexander Kazakov/Pool via REUTERS; REUTERS/Leah Millis
Ainda na quarta-feira, Moscou repudiou a apreensão do petroleiro e afirmou que a ação dos EUA violou o direito marítimo e que "não havia jurisdição para o uso da força". O governo Trump defendeu a legalidade da apreensão perante o direito internacional por acusar o navio de navegar sob bandeira falsa.
Moscou chama o petroleiro de Marinera e afirma que obteve em 24 de dezembro uma autorização provisória para navegar sob bandeira russa.
No entanto, para Washington, o navio se chama Bella 1, não tem bandeira após ter navegado sob bandeira falsa e faz parte da frota fantasma venezuelana usada para transportar petróleo alvo de sanções americanas.
O Ministério das Relações Exteriores russo também rejeitou nesta quinta-feira as acusações de navegação sob bandeira falsa e assegurou que Moscou forneceu diversas vezes "informações confiáveis" sobre a propriedade russa do navio e seu status.
O ministério também lembrou que o direito internacional estabelece "expressamente" que os navios em alto-mar estão sob a jurisdição exclusiva do Estado da bandeira.
"A detenção e a revista de um navio em alto-mar só são possíveis com base em uma lista fechada de motivos, como a pirataria ou o tráfico de escravos, que evidentemente não se aplicam ao Marinera. Em todos os demais casos, tais ações só são autorizadas com o consentimento do Estado da bandeira - neste caso, a Rússia", afirmou o ministério.
Durante uma operação militar realizada na quarta-feira entre a Islândia e a Escócia, guardas costeiros americanos, com apoio britânico, interceptaram e assumiram o controle do petroleiro, com os tanques vazios, que vinham perseguindo desde 21 de dezembro.
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EUA mostram navio da Guarda Costeira emparelhando com petroleiro Marinera durante operação de apreensão no Oceano Atlântico Norte em 7 de janeiro de 2026.
Divulgação/Guarda Costeira dos EUA
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Detalhes do petroleiro Marinera, apreendido pelos EUA.
arte/ g1